quinta-feira, 2 de julho de 2020

Opinião: Reduzir os salários dos servidores é a solução?



A sociedade brasileira está se despertando para o fato de que as medidas de distanciamento social – necessárias para conter o ritmo de transmissão do coronavírus – vão resultar na maior contração econômica jamais ocorrida na história do país



Por José José Luís Oreiro

Deve-se deixar claro que não existe o dilema entre vidas e economia: todos os países vão sofrer em maior ou menor grau forte queda do nível de atividade econômica, cuja intensidade será tão maior quanto: (a) maior for o período distanciamento social para limitar a transmissão do vírus; e (b) menores forem as medidas de estímulo fiscal e monetário adotadas para atenuar o choque de demanda decorrente do isolamento.

A agricultura e a indústria, pela natureza de seu processo produtivo que exige menor interação pessoal (a interação é homem-máquina, não homem-homem), podem continuar operando de forma mais ou menos "normal" durante o período de distanciamento social, a depender, é claro, do nível de demanda pelos produtos. É o setor de serviços que será duramente afetado pelas medidas de distanciamento social, pois a maior parte das atividades exigem a interação homem-homem, a qual não pode ser inteiramente substituída pelo teletrabalho ou pelo e-commerce. Dessa forma, o risco de desabastecimento de gêneros de primeira necessidade está, por hora, afastado. O grande desafio é, portanto, garantir um volume suficientemente grande de demanda pelos bens agrícolas e industriais durante o isolamento.

As empresas desse setor, confrontadas com a queda das vendas, decorrentes da impossibilidade de interação entre as pessoas, vão fazer demissões em massa. Trabalhadores sem renda não têm como demandar os bens agrícolas e industriais (por exemplo, produtos de limpeza e higiene) necessários para a sua subsistência. Como consequência, a produção de alimentos e produtos manufaturados de consumo semidurável também será atingida com impacto indireto na produção de bens intermediários e de capital. Dessa forma, a produção agrícola e industrial será reduzida, levando assim ao desabastecimento de gêneros de primeira necessidade.

Mas isso não precisa ocorrer. A demanda dos trabalhadores desempregados pode ser mantida por intermédio de transferências de dinheiro por parte do governo. Com dinheiro no bolso, os trabalhadores desempregados poderão continuar comprando os bens de primeira necessidade, sustentando assim a demanda por alimentos e produtos manufaturados.

A questão é como financiar esse programa. Alguns analistas do mercado financeiro sugerem que a conta deve ser passada aos servidores públicos, cuja renda não foi afetada pelas medidas de distanciamento social. O argumento usado é de ordem moral, não econômica. A ideia é que não é "justo" que apenas os trabalhadores do setor privado sejam penalizados com perda de renda. Todos os trabalhadores devem ter a renda reduzida.

O problema com esse tipo de proposta é que ela é, ao mesmo tempo, desnecessária e nociva para o funcionamento da economia. Desnecessária porque o governo, ao emitir dívida denominada em moeda nacional, não possui restrição financeira.

Nociva porque, ao reduzir a renda dos servidores públicos, o governo vai ampliar, ao invés de reduzir, o choque de demanda que estava inicialmente restrito ao setor privado. Em suma, é perfeitamente possível sustentar os empregos e a renda do setor privado sem punir os servidores públicos, muitos dos quais estão na linha de frente de combate à pandemia.


*José Luís Oreiro é professor adjunto do departamento de economia da Universidade de Brasília. Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

ESCOLA DISPONIBILIZA AULAS PREPARATÓRIAS PARA VESTIBULAR DE GRAÇA

Aulas têm início hoje e serão ministradas por professores da instituição sem nenhum custo


O Enem foi adiado e a nova data ainda não é conhecida. Ainda assim, os estudantes não podem parar. Ganharam um pouco mais de tempo para a preparação, mas as oportunidades de estudo não são as mesmas para todos. Pensando nos milhares de alunos que vão realizar o Enem e o PAS este ano, o Colégio Anchieta lança o projeto ANCHIETA PARA TODOS. As aulas gratuitas têm início às 14 horas de hoje e serão ministradas pela equipe de docentes da entidade privada, aberta para qualquer estudante. Mesmo quem se inscrever depois, poderá recuperar as aulas passadas. 

Através da plataforma Google For Education, serão disponibilizadas as videoaulas, que poderão ser assistidas em casa pelo computador, tablet ou mesmo por um celular com acesso à internet. Os professores estarão ainda à disposição para tirar dúvidas. O projeto também conta com simulados on-line desenvolvidos pela equipe da escola para testar os conhecimentos nas diversas áreas exigidas pelas provas vestibulares.

Para participar, basta preencher um formulário de cadastro disponível no site anchietadf.com.br. Depois, receberá login e senha por e-mail. Os inscritos deverão apresentar boletim escolar ou declaração de escolaridade até o 3º bimestre. A aula inaugural será na próxima segunda-feira, dia 25 de maio.

O Projeto
O ANCHIETA PARA TODOS surgiu dessa vontade de não deixar a educação parar. “Confiamos que a educação transforma as pessoas, e não vamos deixá-la restrita a quem pode pagar em meio à crise”, explica Nadir Alves, diretora da escola.

Os professores participantes do projeto fazem parte do corpo docente do colégio. Estão entre os melhores de Brasília e contam com experiência em preparatórios de vestibulares, como o extinto Alub – que colocou mais de mil alunos na UnB, e o projeto do Governo do Distrito Federal, Bora Vencer, que colocou mais de 4.500 estudantes em faculdades públicas. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Publicidade

Publicidade

Usuários online

Publicidade